
A Hello Seven é uma empresa dos EUA que ensina negócios para mulheres, com foco em empreendedoras negras e de minorias no caminho para construir empresas de um milhão de dólares.
Cursos, certificação de coaches, clube de membros, livros e podcast. Uma marca, muitos produtos e, em 2024, a distância entre eles já estava aparecendo.
Cada produto tinha desenvolvido sua própria forma de ensinar, vender e se apresentar.
As participantes se perdiam entre as ofertas. A certificação de coaches não tinha uma presença pública. O sistema de ensino carregava anos de estrutura acumulada que ninguém havia mapeado de ponta a ponta. E a empresa apostava seu próximo capítulo em IA sem uma camada de design capaz de entregá-la.
Não era um brief de redesign. Era um portfólio de produtos que precisava de um sistema operacional.
A Hello Seven estava migrando seus cursos para uma nova plataforma, e uma migração é o pior momento para levar problemas antigos junto.
Antes de qualquer tela, conduzi o estudo que definiu os limites da mudança: pesquisas e entrevistas com clientes, análise competitiva, revisão completa de feedbacks e reclamações do suporte e pesquisa com stakeholders de toda a equipe.
O estudo revelou uma falha estrutural. Os níveis de crescimento da Hello Seven, de H1 a H7, são definidos por faturamento, mas o currículo partia do princípio de que faturamento significava conhecimento. Não significa: uma empreendedora H5 faturando US$ 500 mil pode ter construído tudo sozinha, então seu conhecimento de contratação ainda está no H2, e as aulas de contratação do H5 chegam dois níveis acima do que ela precisa.
A solução foi uma taxonomia que separava as duas dimensões. Cada aula recebeu tags de tema e subtema, além do intervalo de níveis que realmente atende. O catálogo virou um sistema de prescrição para coaches: “Você é H5, mas, para contratação, comece por estas aulas de H2 e H3.” O nível da participante deixou de ser uma barreira e virou um ponto de partida.


As coaches certificadas não tinham uma prova pública da certificação.
Desenhei do zero a plataforma de listagem: perfis e descoberta para mais de 60 profissionais, estruturados em torno das duas perguntas por trás do produto — como uma visitante encontra a coach certa e como uma coach transforma a certificação em visibilidade. Finalmente, o programa de certificação tinha um produto para apresentar.
O centro da aposta em IA.
Desenhei a plataforma de IA para membros da Hello Seven, entregando os métodos de coaching de Rachel sob demanda: uma coach de IA para conversas individuais sobre negócios, um Business Auditor que cria e refina planos de 90 dias e uma Growth Scale Assessment baseada na mesma escala de H1 a H7 que agora organiza o catálogo de ensino.
O problema de design era confiança: fazer o coaching com IA parecer Hello Seven, não um chatbot usando a marca como fantasia, desde o design da conversa até a forma como o produto admite os próprios limites. O programa de coaching humano ao qual ela se conecta mantém um NPS de 92 em 304 pesquisas. A plataforma ganhou a própria resposta em palavras que ninguém roteirizou:
“Esta IA não é apenas uma IA generativa. O Claude fala sem parar e, quando vejo, escrevi uma dissertação inteira... nada que gere dinheiro. Mas [a coach de IA] responde diretamente à minha pergunta. Minha coisa favorita são as respostas orientadas à ação: ‘Ok, pare. Essa é uma Broke Ass Decision. Mude isso e volte. Quando sua assistente virtual vai terminar?’ Eu defini uma data de lançamento, escrevi meu e-mail, tenho as mensagens de acompanhamento para minha assistente enviar e clareza sobre meu funil.” — Participante da Hello Seven, dois dias após o lançamento
Nos bastidores, construí os agentes que executam o fluxo de conteúdo da empresa de ponta a ponta: da escolha do tema a um post finalizado e pronto para publicar em menos de 20 minutos.
O sistema inclui um revisor de texto que preserva a voz da marca e um analista competitivo que compara as redes da Hello Seven com qualquer concorrente e devolve um relatório baseado em métricas. Tudo desenhado com escopos definidos e pontos claros de handoff para pessoas, em uso diário pela equipe.
Cada submarca e linha de produto recebeu seu próprio design system documentado: tokens, regras tipográficas e pacotes de handoff que permitem que pessoas fora do design publiquem materiais consistentes com a marca.
As páginas de vendas e marketing construídas sobre esses sistemas produziram mais de US$ 10 milhões em conversões.








Três escolhas moldaram todo o resto.
A taxonomia do currículo. Os níveis rodam em faturamento, e o currículo antigo assumia que faturamento significava conhecimento. As opções na mesa: regravar mais de 300 aulas por nível, manter as aulas travadas por faturamento, ou marcar cada aula por tema e pela faixa de níveis que ela realmente atende. Escolhi as tags. O trade-off: meses de classificação e uma manutenção que nunca termina, contra o custo de regravar um catálogo inteiro. O que isso produziu: coaches prescrevem entre níveis, e o nível da participante virou ponto de partida em vez de barreira.
O formato da coach de IA. A empresa queria IA. As participantes precisavam confiar nela. Na mesa: um chatbot amplo vestindo a marca, ou uma coach estreita que puxa ação e admite os próprios limites. Escolhi a estreita. O trade-off: parece menos capaz na demo e ganha mais confiança na segunda semana. O que isso produziu: a citação da participante acima e um uso diário que se manteve depois da semana de lançamento.
Design systems para quem não é designer. Na mesa: centralizar a produção no design, ou entregar ao marketing os tokens, as regras tipográficas e os pacotes de handoff para publicar dentro da marca sem mim. Escolhi os pacotes. O trade-off: abri mão do controle pixel a pixel de cada página. O que isso produziu: as páginas por trás dos mais de US$ 10 milhões saem sem gargalo de design.
Mais de US$ 10 milhões em conversões rastreadas.
Cada dólar é rastreado, não estimado. A Hello Seven vende exclusivamente pelas suas páginas de vendas e marketing, e eu desenhei todas elas desde o início da parceria, em 2023. O número é a receita de checkout processada por essas páginas, medida no ThriveCart, líquida de reembolsos.
Uma plataforma de coaching com IA em uso diário pelas participantes. Um catálogo de mais de 300 aulas que coaches conseguem prescrever. Mais de 60 profissionais certificadas com presença pública. Conteúdo que vai do tema ao post pronto em menos de 20 minutos. Uma marca que finalmente se comporta como uma família de produtos.
PS: Ah, sim, eu também faço todo o trabalho de design de eventos/grafico, mas isso é assunto para outra conversa com um bom café. ;)




