Quinze anos.
Ainda obcecado.
Ainda descobrindo.
Tudo começou em 97, com skins de Quake. Eu queria que meu personagem tivesse a minha cara, não a aparência padrão de todo mundo, então aprendi sozinho a mudar aquilo. Sem curso, sem plano, só um garoto que não conseguia deixar o pc em paz... De algum jeito, esse garoto acabou liderando equipes de design e trabalhando em três continentes, o que ainda não faz muito sentido para mim.
O cargo continua mudando. UX, product designer, design engineer, o nome que derem no ano. A parte que me importa não mudou: desenho interfaces pensando no negócio por trás do briefing, não só nos pixels na minha frente.
Hoje, a maior parte do meu tempo vai para o diagnóstico, não para a cor dos botões. Um funil fraco não é automaticamente um problema de design; às vezes é o posicionamento, às vezes é o texto causando estrago em silêncio enquanto o layout leva a culpa, e o briefing quase nunca diz qual é o caso ou por que aquilo está penando há meses. Encontrar o que ele esconde faz parte do trabalho.
Tem gente que me chama de manteiga, porque me passam em tudo: estratégia, UI, CSS, dados e conversas longas com designers no começo da carreira, ainda cheios de dúvidas.
Eu cresci profissionalmente pelo caminho clássico, sem qualquer glamour: Júnior em uma agência de eventos esportivos, entregando sites que ninguém se gabaria de ter feito. Eu já perseguia conversão antes de ela aparecer em todo briefing, mais curioso sobre o que as pessoas realmente queriam do que sobre o que os clientes achavam querer.
Depois veio uma sequência de setores, cada um com sua própria lógica e sua forma preferida de esconder o problema real dentro do briefing errado. Você aprende rápido a não confiar na primeira explicação.
Na GIF, liderei uma equipe realmente boa enquanto o processo ao redor dela desmoronava em silêncio. Os atrasos pareciam problemas de design. Não eram. Coleta de informações vagas geravam entregáveis vagos, e os ciclos de revisão devoravam a margem de lucro. Então fui atrás das informações: briefings mais claros, kickoffs que terminavam em decisões reais e reuniões que justificavam sua existência ou eram cortadas.
Os resultados não foram sutis. As margens de lucro subiram de 38% para 65%. As entregas ficaram até 70% mais rápidas. A primeira revisão caiu de algumas semanas para menos de uma. A semana de quatro dias úteis não foi um benefício votado pela equipe; foi o que sobrou quando ninguém mais precisava ser resgatado toda sexta-feira. Nada disso veio de trabalhar mais até a exaustão. Veio de construir um sistema que se sustentava sozinho.


A parte difícil sempre foram as pessoas, não os pixels. Designers me trazem duas coisas: um pepino de UI que não conseguem dar jeito e a pergunta sombria sobre o que fazer quando o trabalho está acabando com eles. Levo as duas a sério. Um feedback que deixa alguém na defensiva custa mais do que a alteração solicitada que tentava evitar; um custo que nunca aparece no cronograma, mas corrói a confiança, o ritmo e os próximos três handoffs. Feedback é um ofício. A maioria trata como tarefa burocrática.
Mentoria é a parte que eu protegeria acima de quase tudo. Designers no início da carreira, convencidos de que todo mundo recebeu um manual que esqueceram de mandar para eles. Não vou vender uma cura para a síndrome do impostor, porque ela não existe. A síndrome fica, para sempre. Você apenas aprende a parar de olhar para a porta esperando que vá embora.
Entregar um arquivo não é a linha de chegada. O trabalho termina quando está no ar, documentado e se comportando como deveria. Acentos intactos. Espaçamentos que não escapam. Um site carregando todo o peso da marca, em vez de quase chegar lá. "Quase" normalmente significa que alguém esqueceu a pessoa que precisa ler, usar ou manter aquilo vivo depois.

Eu me preocupo mais com as empresas com que trabalho do que com a minha própria carreira. Provavelmente não é o equilíbrio mais saudável, eu sei. E o trabalho remoto deixou de ser um quebra-galho há muito tempo; é simplesmente onde faço meu melhor trabalho.
Eu já fazia isso antes de existir um nome. Vou continuar fazendo depois que surgirem mais doze. Se o seu brief parece estar escondendo alguma coisa, esse é o meu lugar preferido para começar.
Se você já sabe o que precisa ser feito, ótimo. Vamos direto para a parte boa.